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Currículo sem Fronteiras
 
   
 Revista para uma educação crítica e emancipatória   ISSN 1645-1384

Análise dos usos do tempo entre crianças acerca das relações de gênero e classe social

Marie Jane Soares Carvalho e Juliana Brandão Machado

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Resumo

As temporalidades são organizadas na relação com diversos fatores intercambiáveis entre si. Entre os mais importantes destacam-se: gênero, classe social, trabalho, educação, urbanização e industrialização. A pesquisa analisa a utilização do tempo de um grupo de crianças de classe média e compara os dados com pesquisa anterior, realizada com um grupo de classe popular. Nosso pressuposto é de que há distribuição desigual do tempo em relação a gênero e classe social. Isso se dá em razão da permanência de particularismos patriarcais e econômicos para cada grupo social. A primeira pesquisa foi realizada com um grupo de 140 estudantes entre 9 e 12 anos, de uma escola pública de Porto Alegre, e o segundo foi realizado com um grupo de 60 crianças, na mesma faixa etária, estudantes de uma escola privada. Aplicamos os diários de usos do tempo em um dia da semana e no domingo. Realizamos a entrevista do dia anterior com cada criança participante. O banco de dados foi organizado com duas matrizes principais: uma com os eventos e as durações dos eventos do dia da semana e outra com eventos e durações do domingo. Traçamos comparativos entre os dois grupos nos principais vetores de análise: cuidados pessoais, cuidados com a casa e lazer. Quanto aos usos do tempo, percebemos que há um grande investimento das famílias de classe média alta em atividades extra-escolares para as crianças, o que não ocorre no grupo de classe popular. Entre as crianças de classe média alta temos que para alguns estudar uma língua estrangeira é prioridade, para outros é a prática de atividades esportivas oferecidas pela própria escola. A finalidade, além da saúde em vista, é ocupar-lhes o tempo durante o qual sua família está trabalhando. A idéia é prepará-las para o futuro. Em relação aos cuidados com a casa há poucos registros no grupo de classe média, o que difere do grupo de classe popular. Neste grupo cerca de dois terços das crianças registraram essa atividade, em especial as meninas. Estudos apontam que em classes altas há códigos mais igualitários e relações mais simétricas entre meninos e meninas. A classe social e os particularismos de gênero influenciam sensivelmente o uso discricionário do tempo entre as crianças do estudo.

 

 

 
 
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