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Currículo sem Fronteiras
 
   
 Revista para uma educação crítica e emancipatória   ISSN 1645-1384

Currículo, subjetivação e experiência de si: contra os humanismos, os modismos e os relatos obtusos

André Márcio Picanço Favacho

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Resumo

Depois que se impôs sobre nós, educadores, o tema da subjetividade rapidamente se transformou em um segredo. Ninguém explicita bem de onde fala; misturam-se coisas de toda ordem. Na tentativa de adentrar esse universo, educadores passaram a dizer coisas estranhas, intangíveis e inatingíveis. Passaram também a pesquisar coisas muito diferentes do que se costumava fazer até recentemente. De fato, essa discussão guarda essa singularidade, pois ela abre e se abre para os estranhamentos culturais e sociais; e esse, sem dúvida, é o seu valor. Na tentativa de tematizá-la, os pesquisadores têm recorrido frequentemente à noção de experiência e, para dar-lhe sustentação, alguns passaram a falar em narrativas de si - caso dos trabalhos de Marie-Christine Josso - e outros falaram em corpo-si ou pessoa-si - como Ives Schwartz. Assim, inúmeros trabalhos congestionaram os sistemas eletrônicos das bases de dados, porém com relatos de experiência em educação eivados de humanismos e otimismos obtusos. Em currículo, o debate da subjetividade é forte, sobretudo porque é consenso que, por meio dos currículos escolares, das políticas curriculares e das práticas docentes, reproduzimos, mas também produzimos, formas de subjetividade. O campo curricular é, portanto, atraído por essa discussão em suas diferentes versões e conceitos e, por isso mesmo, pode ser também traído por ela, dada sua sede em ocupar-se desses assuntos por diversos vieses. Neste artigo, o intuito é recuperar, no debate foucaultiano, algumas conclusões a que o campo curricular chegou no que se refere à subjetividade e propor, para futuras pesquisas em educação, notadamente para os estudos curriculares, o tema da experiência de si. Para isso se ocupará, de maneira muito breve, de temas como "o governo do eu" e "a produção de subjetividades", próprios dos anos 1990 e 2000, para, enfim, se aproximar dos (ainda um tanto ausentes) temas foucaultianos intitulados "modos de subjetivação" e "experiência (de si)".

 

 

 
 
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