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Currículo sem Fronteiras
 
   
 Revista para uma educação crítica e emancipatória   ISSN 1645-1384

Tecnologia de gênero e a produção de sujeitos no currículo de aulas experimentais de ciências

Lívia de Rezende Cardoso e Marlucy Alves Paraíso

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Resumo

Abstração, racionalidade, atenção, sensibilidade, concentração, manuseio, delicadeza e organização são algumas capacidades e práticas demandas dos/as alunos/as no currículo de aulas experimentais de Ciências de uma escola pública de Belo Horizonte investigada na pesquisa que subsidia este artigo. Contudo essas capacidades e práticas são demandadas de modo diferenciado para meninas e meninos. Este artigo objetiva analisar as relações de gênero que perpassam o fazer experimental nas aulas de ciências de uma escola de ensino fundamental investigada e o que tais relações produzem e instituem. Usando ferramentas conceituais foucaultiana e dos estudos de gênero, mostramos que há uma “tecnologia de gênero” acionada nas aulas experimentais de ciências investigadas que colocam meninos e meninas em lugares diferentes e desiguais. Argumentamos que o currículo investigado, ao acionar uma tecnologia do gênero, demanda conflituosamente um sujeito híbrido que denominamos de bruta flor. Mostramos, em síntese, que, ao se acionar técnicas e procedimentos de “nomeação”, “reconhecimento” e “destinação”, produz-se no currículo investigado diferenças e desigualdades na relação de meninos e de meninas com a ciência.

 

 

 
 
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